1.2.05

O intérprete do nada

Há pouco tempo assisti a um concerto onde foi tocada música de Salvatore Sciarrino. Omaggio a Burri, para flauta, clarinete e violino. Há momentos nesta peça que são extremamente virtuosos. Não no sentido mais comum do termo - leia-se número de notas por segundo -, mas porque nesta música há que saber tocar o quase nada. A partitura é simples. Um ritmo regular como gotas de água. Flauta solo. Cada pequeno gesto do intérprete, cada movimento do dedo mínimo produz um som preciso. Pouco mais. Na sala, o silêncio de quem escuta. O que é que se pode querer mais?
LP