17.3.05

Festa


No programa da festa da música do CCB deste ano dedicado a Beethoven, há alguns aspectos que me parecem extremamente interessantes. Por um lado, se já estamos mais ou menos habituados às “integrais” das sinfonias de Chostakovitch, Bruckner ou Mahler, a verdade é que a iniciativa de fazer as integrais das sinfonias, dos quartetos de cordas, das sonatas para piano, para violino, para violoncelo, etc., num tão curto espaço de tempo é obra! Imagine-se ouvir todos os 16 quartetos de cordas num fim-de-semana! Desde o op. 18 até ao 135! É uma dimensão completamente diferente da música de Beethoven.

O outro lado igualmente interessante é o que diz respeito à interpretação de obras de contemporâneos de Beethoven: Cherubini, Clementi, Czerny, Hummel, Diabelli, Salieri. É tão ou mais interessante porque se trata de autores pouco tocados. Não fazem parte do repertório tradicional das grandes orquestras nem dos grandes intérpretes. Alguns, ou algumas obras, terão sido injustamente esquecidas, outras não. Mas interessante é perceber o que há de “normal” em Beethoven, ou seja, aquilo que pertence ao cânone da época, e tudo o resto que é “só” Beethoven. Numa altura em que há uma procura de reavaliação da história – particularmente da vanguarda -, é extremamente oportuno ouvir a música dos que viveram ao lado do grande mestre de Bona.

Também positivo é a integração de músicos portugueses neste projecto, especialmente dos pianistas e das orquestras.

LP