2.8.05

1813-1888


Interrompo mais uma vez o silêncio para uma pequena nota sobre um concerto que ouvi recentemente e onde foi tocado um compositor esquecido que viveu na obscuridade do seu isolamento: Charles Valentin Alkan. Contemporâneo de Chopin, chegaram a morar no mesmo prédio em Paris convivendo com Hugo, Delacroix, Sand, Dumas, Liszt. Para além de pianista virtuosíssimo, foi também um importante compositor de música para piano. Um dos seus propósitos como compositor foi escrever “a música mais difícil de tocar”. Com efeito, a música de Alkan soa por vezes a um Ferneyhough romântico, tal é o gosto pelo difícil. Mas o que o distingue mais dos seus contemporâneos é talvez o prazer na experimentação, no bizarro, no rítmo quase mecânico, aspecto visíveis desde logo nos títulos escolhidos: Os Caminhos de Ferro, Les omnibus ou Etude alla-barbaro (terá influenciado B. Bartók…?), ou ainda Pseudo-naïvete.

Curiosamente ao escrever este post descobri que Vianna da Mota publicou alguns dos estudos de Alkan, certamente através do contacto com Busoni. VIANNA DA MOTTA JOSÉ, Exercices de virtuosité : tirés des oeuvres de Charles Valentin Alkan : pour piano. [BnF Musique, Vm. Casadesus 000982]

Alguns links sobre Alkan em inglês, francês e alemão:


LP

1 Comments:

Blogger arte no tempo said...

O silêncio é de ouro. ...Mais valiosas ainda são algumas palavras que o interrompem.
Obrigada por teres partilhado esta descoberta.

Diana

02 agosto, 2005 22:34  

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