24.11.05

Siringe

"A siringe é um instrumento formado por muitas flautas, cada uma dessas flautas é uma cana; (...)

Mas a siringe não era, na sua origem, nem uma flauta, nem uma cana: era uma donzela muito bela, que excitava as paixões. Ora bem, Pã perseguia-a numa corrida de amor, mas um denso bosque acolheu a fugitiva. Pã, que vinha no seu encalço, estendeu a mão para a apanhar. Pensava tê-la apanhado e presa pelos cabelos, mas o que a sua mão realmente tinha apanhado era uma madeixa de canas. De facto, dizem que ela desapareceu na terra, e que a terra, no seu lugar, produziu canas. Então, Pã, cheio de cólera, cortou as canas, supondo que escondiam a sua amada. Mas como não conseguisse descobri-la e pensando que a jovem se tinha transformado num canavial, lamentou os golpes que fez, julgando que tinha morto a sua amada. Assim, tendo unido os pedaços das canas como se fossem os membros e reunindo-os num só corpo, tomou entre mãos os fragmentos das canas à medida que as beijava, e o sopro, penetrando nas canas através dos orifícios, produziu sons, e a siringe teve voz. "

Aquiles Tácio: Os amores de Leucipe e Clitofonte.

L.